Coleta de medula óssea em pets: especialista explica como funciona o procedimento e em quais casos é necessário

  • 26/02/2026
(Foto: Reprodução)
Coleta de medula óssea em pets ajuda no diagnóstico e tratamento, segundo veterinário de Dracena (SP) Reprodução/Freepik/Caio Pain A medula óssea é considerada a "fábrica" responsável pela produção dos componentes do sangue: glóbulos vermelhos (hemácias), glóbulos brancos (leucócitos) e plaquetas. Todos são essenciais para o funcionamento do organismo, segundo especialistas. Em humanos, o transplante de medula óssea é indicado principalmente em casos de leucemia. Já em pets, embora o transplante não seja tão comum, o procedimento de coleta da medula óssea é fundamental e pode ser tão necessário quanto nos seres humanos, dependendo do quadro clínico do animal. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Ao g1, o médico-veterinário oncologista e cirurgião de tecidos moles Caio Pain, que atende em Dracena (SP), explicou como o procedimento ocorre e em quais situações é mais indicado. "A punção de medula é indicada principalmente quando há alterações importantes no hemograma que não conseguem ser explicadas apenas por exames." LEIA TAMBÉM: Nova lei autoriza enterro de pets em jazigos da família; prefeituras definem protocolos no interior de SP VÍDEO: ouriço-cacheiro é visto em árvore no interior de SP; biólogo explica hábitos do animal Foto de anta albina registrada há mais de uma década abriu caminho para pesquisa no interior de SP: 'Vira um símbolo', diz fotógrafo Segundo o especialista, a punção de medula é um procedimento minimamente invasivo, que possibilita a coleta de uma amostra do tecido responsável pela produção das células sanguíneas. "As principais indicações dentro da medicina veterinária são as suspeitas de leucemias e linfomas que acometem a medula, investigação de anemia sem uma causa definida, quedas persistentes de plaquetas dos glóbulos brancos e avaliação de doenças infecciosas", destaca. "O exame não é comum no dia a dia, mas é essencial para a gente entender o motivo de o organismo ter parado de fabricar as células normais. Então, ele nos auxilia nessa questão", reforça o veterinário oncologista. Caio Pain é veterinário oncologista e cirurgião de tecidos moles em Dracena (SP) Caio Pain/Arquivo pessoal Doenças mais comuns Segundo Caio, os linfomas estão entre os cânceres mais comuns em cães e gatos. "Normalmente, a doença começa nos linfonodos, mas, em alguns pacientes, pode infiltrar a medula óssea, o que a torna mais sistêmica. Quando isso acontece, observamos uma anemia persistente, queda de plaquetas, uma resposta ruim ao tratamento inicial. Avaliar a medula ajuda a estadiar a doença, entender a gravidade e ajustar o protocolo quimioterápico", pontua o veterinário. O veterinário reforça que a coleta da medula ajuda no monitoramento de resposta de tratamentos de doenças oncológicas hematopoéticas, que ficam no sangue. Segundo ele, existe uma maior incidência na população canina de doenças hematológicas e oncológicas, cuja investigação inclui o mielograma, que é a punção da medula óssea. "Além de os cães apresentarem maior variedade de tumores sistêmicos que exigem um estadiamento medular. Mas nos gatos também é extremamente importante [a coleta da medula]", reforça. No caso dos felinos, a indicação do procedimento é menos frequente do que nos cães. Quando ocorre, está relacionada principalmente a alterações hematopoéticas associadas a doenças infecciosas e neoplásicas, muitas vezes ligadas a infecções crônicas causadas por vírus, bactérias ou parasitas. Como funciona a coleta? Caio Pain é veterinário oncologista e cirurgião de tecidos moles em Dracena (SP) Caio Pain/Arquivo pessoal Para a realização do procedimento, a equipe médico-veterinária faz uma avaliação clínica prévia a fim de garantir que o pet esteja estável, além de elaborar um planejamento anestésico individualizado, conforme explica o oncologista. "A realização da punção da medula óssea exige um preparo técnico semelhante ao de procedimentos cirúrgicos. A coleta em si é rápida, geralmente entre 15 e 25 minutos, incluindo a preparação e a recuperação do paciente", afirma. O resultado do exame costuma ser disponibilizado à equipe entre cinco e sete dias, prazo necessário para o envio do material ao laboratório e para a análise morfológica detalhada das células. "Precisa de uma manipulação correta dessa amostra, tanto em questão de tempo quanto de qualidade, o que pode influenciar no resultado, o acondicionamento da amostra e o envio para o laboratório. A partir da qualidade da coleta, a gente consegue ter um diagnóstico mais claro e preciso", reforça. É possível fazer transplante de medula em pets? Segundo o médico-veterinário, o transplante de medula óssea em pets já foi estudado e até realizado de forma experimental, principalmente em cães com câncer. No entanto, os resultados obtidos até o momento não foram suficientes para que o procedimento se tornasse um tratamento de rotina. "O que evoluiu, de verdade, foi a terapia com as células-tronco regenerativas, que é bem diferente. Ela tenta modular a inflamação e regeneração do sinal, não substitui toda a medula, como na medicina humana, pelas dificuldades técnicas, custos elevados e o resultado ainda limitado", pontua Caio. Por conta disso, o transplante de medula óssea se tornou mais restrito na medicina veterinária: "Não é que não é feito, mas é mais restrito a centros de pesquisa. Ainda está em estudo, em avanço, não dá para se fazer ainda em larga escala", completa. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/tem-mais-pet/noticia/2026/02/26/coleta-de-medula-ossea-em-pets-especialista-explica-como-funciona-o-procedimento-e-em-quais-casos-e-necessario.ghtml


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