Condenado pelos atos golpistas de 8 de janeiro é velado no interior de SP; homem estava foragido na Argentina
31/03/2026
(Foto: Reprodução) Foragido após condenação pelo STF por atos golpistas morre na Argentina
Está sendo velado em Jaú (SP), na manhã desta terça-feira (31), o corpo do adestrador de cães José Eder Lisboa, de 64 anos, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 14 anos e seis meses de prisão, em regime fechado, por participação nos atos golpistas em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.
Ele morreu na última sexta-feira (27), na Argentina, onde estava foragido da Justiça.
O sepultamento está marcado para as 16h30, no Cemitério Municipal de Jaú. Ele morava em São Carlos quando participou dos atos golpistas, mas era nascido em Jaú, onde sua família reside.
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O corpo chegou à cidade na madrugada desta terça-feira, após ser trasladado da Argentina.
Foragido após condenação pelo STF por atos golpistas morre na Argentina
Arquivo pessoal
Durante depoimento à polícia, ele disse que foi a Brasília em uma van fretada com outras 11 pessoas de São Carlos.
O adestrador afirmou que se manifestava pacificamente contra a corrupção e a suposta falta de transparência nas urnas. O processo eleitoral, no entanto, é transparente e auditável. Ele disse, também, não se considerar bolsonarista.
Morte do foragido
Foragido, de acordo com a Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de janeiro (ASFAV), José estava longe da família e do país. Ele adoeceu e ficou por vários dias internado em um hospital no país vizinho, onde não resistiu e morreu.
A advogada Carolina Siebra, que representa a ASFAV e o adestrador de cães, confirmou a morte dele ao g1 neste sábado (28).
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De acordo com a advogada, José teve um problema de saúde no final do ano passado, tratado inicialmente como botulismo, doença neurológica causada pela toxina da bactéria Clostridium botulinum. Depois, no entanto, foi diagnosticado com Síndrome de Guillain-Barré.
Trata-se de uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, causando fraqueza muscular rápida, formigamento e, em casos graves, paralisia.
Carolina informou que José estava em recuperação, mas não resistiu e morreu. Os familiares pretendem trazer o corpo do adestrador de cães, que estava sendo velado na Argentina, para o Brasil.
O g1 entrou em contato com o Itamaraty, que informou, em nota, que, em caso de falecimento de cidadão brasileiro no exterior, as embaixadas e consulados brasileiros podem prestar orientações gerais aos familiares, apoiar seus contatos com o governo local e cuidar da expedição de documentos, como o atestado consular de óbito, tão logo terminem os trâmites obrigatórios realizados pelas autoridades locais.
"O traslado de restos mortais de brasileiros falecidos no exterior realiza-se apenas em situações excepcionais e devidamente motivadas", diz a nota.
Condenação
O julgamento virtual começou em 14 de junho e foi finalizado na noite de 21 de junho de 2024. Lisboa foi condenado pelos seguintes crimes:
abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
golpe de Estado;
dano qualificado;
deterioração de patrimônio tombado;
associação criminosa armada.
Além da pena restritiva de liberdade, Lisboa também foi condenado a um ano e seis meses de detenção e ao pagamento de 100 dias-multa no valor de um terço do salário mínimo, o que totaliza R$ 43,4 mil.
Ele também foi condenado a pagar indenização por danos morais coletivos de R$ 30 milhões, valor que deverá ser dividido entre os demais condenados.
No interrogatório, Lisboa alegou que entrou no Palácio para se proteger das bombas, não arrombou nada e não participou do vandalismo. Ele se tornou réu em maio de 2023 e teve a prisão revogada em agosto, permanecendo em liberdade com diversas restrições.
Ataques no DF
O ataque à democracia foi sem precedentes na história do Brasil. Bolsonaristas radicais quebraram vidraças e móveis, vandalizaram obras de arte e objetos históricos, invadiram gabinetes de autoridades, rasgaram documentos e roubaram armas que estavam no Congresso Nacional, no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Palácio do Planalto.
Na maior parte dos casos, os envolvidos gravaram as ações e publicaram as imagens em suas próprias redes sociais. Na época da invasão, 2.151 pessoas foram presas.
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