Cursos de medicina das regiões de Presidente Prudente, São José do Rio Preto e Bauru tiveram baixo desempenho no Enamed 2025
21/01/2026
(Foto: Reprodução) Enamed x Revalida: questões iguais, gabaritos diferentes
Cursos de Medicina de sete instituições nas regiões de Presidente Prudente, São José do Rio Preto e Bauru ficaram entre os que tiveram pior desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) e vão sofrer sanções. No total, 107 dos 351 cursos avaliados em todo o Brasil receberam notas 1 ou 2.
O levantamento feito pelo g1 teve como base o resultado da primeira edição do Enamed, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), nesta segunda-feira (19).
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Na região de Presidente Prudente, duas faculdades que oferecem o curso de Medicina, localizadas em Dracena e Adamantina, receberam nota 1 no Enamed, o pior desempenho da avaliação. A nota máxima possível é 5.
Na região de Bauru, a faculdade de Marília ficou com nota 2 no exame. Em São José do Rio Preto, uma faculdade recebeu nota 1. Ainda na região de Rio Preto, outras três faculdades, localizadas em Santa Fé do Sul, Fernandópolis e Penápolis, também passaram pela avaliação e receberam notas 1 e 2. Confira a lista abaixo:
Região de Presidente Prudente
Dracena - Faculdade de Dracena (Unifadra): nota 1
Adamantina - Centro Universitário de Adamantina (FAI): nota 1
Região de Bauru
Marília - Universidade de Marília (Unimar): nota 2
Região de Rio Preto
Santa Fé do Sul - Centro Universitário de Santa Fé Do Sul (Unifunec): nota 2
Penápolis - Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Penápolis (Fafipe): nota 2
São José do Rio Preto - União das Faculdades dos Grandes Lagos (Unilago): nota 1
Fernandópolis - Universidade Brasil (UB): nota 1
Cerca de 30% dos cursos de Medicina vão ser punidos após avaliação ruim no Enamed
O que vai acontecer com os cursos 1 e 2?
As instituições com conceito 1 ou 2 no exame estarão sujeitas a penalidades. Cursos com conceito 2 terão redução no número de vagas para ingresso, enquanto aqueles com conceito 1 terão a suspensão total da entrada de novos estudantes.
Em reunião com a imprensa nesta segunda-feira, o ministro da Educação, Camilo Santana, informou que, das 107 instituições avaliadas, apenas 99 estarão sujeitas a penalidades, já que faculdades estaduais e municipais não são geridas pelo ministério. Até o momento, não há confirmação se as instituições citadas acima se enquadram nesses critérios.
O que acontece agora com os cursos:
8 cursos não poderão receber novos alunos e estão suspensos do Fies e de outros programas federais;
13 cursos terão de reduzir pela metade o número de vagas e também estão suspensos do Fies e de outros programas federais;
33 cursos deverão reduzir em 25% o número de vagas, além de ficarem suspensos do Fies e de outros programas federais;
45 cursos ficam impedidos de ampliar o número de vagas.
Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, as instituições terão um prazo para apresentar defesa. Ele reforçou que o objetivo das medidas é garantir a qualidade do ensino, protegendo a população que, posteriormente, será atendida por esses profissionais.
"É uma maneira da instituição se aperfeiçoar. É um instrumento para que a gente possa fazer as instituições corrigirem e ter um ensino de qualidade. É uma forma de monitoramento com o único objetivo de melhorar o ensino", disse Camilo.
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O que dizem as instituições
Em nota, a Unifadra de Dracena disse que a instituição ainda não foi formalmente notificada do resultado pelo Ministério da Educação (MEC) e que esta é a primeira participação do Curso de Medicina da Unifadra neste formato do Enamed. “Inexistindo, portanto, histórico de notas anteriores nesse mesmo instrumento avaliativo.”
“A faculdade se posiciona de forma contrária aos métodos utilizados para o cálculo do conceito final. Isso porque o edital do exame, publicado em junho/2025, não divulgou a metodologia que seria utilizada para o cálculo do conceito”, disse em nota.
Segundo a faculdade de Dracena, as notas técnicas sobre como seria o cálculo foram publicadas apenas em dezembro de 2025, após a aplicação da prova, que foi realizada em 19 de outubro do mesmo ano.
Segundo a diretoria da Unifadra, o curso de Medicina na faculdade possui nota média de 4,46, em escala de 1 a 5, avaliadas pelo MEC e que, diante da situação com o Enamed, adotará todas as medidas cabíveis para garantir a revisão da metodologia para o cálculo do conceito divulgado.
O Centro Universitário FAI de Adamantina informou, por meio de nota, que tomou conhecimento do resultado divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) referente à primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).
“A instituição respeita e valoriza os processos de avaliação conduzidos pelos órgãos oficiais e reafirma seu compromisso com a qualidade da formação médica, com a melhoria contínua do curso e com a transparência no diálogo com a comunidade acadêmica e a sociedade”, afirmou.
Ainda segundo a nota, a FAI informou que está realizando uma análise técnica detalhada dos critérios, indicadores e dados que compõem o resultado divulgado, com o objetivo de compreender integralmente os fatores que influenciaram a nota atribuída e definir eventuais medidas institucionais cabíveis, dentro dos trâmites previstos pelo MEC.
A instituição reforçou que mantém suas atividades acadêmicas regulares e que permanece à disposição dos órgãos competentes para prestar os esclarecimentos necessários, assim como da imprensa e da comunidade, conforme as informações oficialmente consolidadas.
Já a Unimar, de Marília, informou em nota que o curso de Medicina obteve nota máxima em recente visita in loco do Ministério da Educação, “confirmando a excelência de seu projeto pedagógico, infraestrutura, corpo docente e metodologia”.
“A Universidade recebeu com estranheza os resultados do Enamed, especialmente diante do reconhecimento, pelo Inep, de inconsistências nos dados utilizados para o cálculo das notas, em razão da aplicação de nota de corte diferente da previamente estabelecida”, continuou.
Diante disso, a Unimar informou que foi comunicada de que terá garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório, que o curso permanece reconhecido e autorizado pelo MEC e que seguirá adotando as medidas institucionais cabíveis para assegurar a correção dos dados e a preservação dos direitos de sua comunidade acadêmica.
Curso de Medicina
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Instituições de Rio Preto
A Unilago de Rio Preto esclareceu, em nota, que esse resultado corresponde a um único componente do sistema de avaliação do Ministério da Educação (MEC) e não representa, de forma isolada, a qualidade global do curso.
“Historicamente, o conceito final do curso de Medicina da Unilago nunca foi inferior a 3, índice considerado satisfatório de acordo com os parâmetros oficiais de avaliação do MEC”, informou.
A instituição também reforçou, em nota, que realiza investimentos contínuos, como a construção de um hospital-escola, além da capacitação permanente do corpo docente e da ampliação constante dos campos de prática e estágio.
Também por meio de nota, a Fadipe, de Penápolis, informou que o resultado do Enamed 2025 já “reflete avanços, fruto das ações implementadas no último ano, e a instituição segue trabalhando e se dedicando à melhoria contínua do curso.”
A faculdade ainda informou que todas as instituições aguardam as diretrizes do Ministério da Educação (MEC), já que, até a tarde desta segunda-feira, nenhuma penalidade havia sido oficialmente comunicada pelo governo.
A Universidade Brasil de Fernandópolis ressaltou, em nota, que avalia os critérios utilizados pelo Inep, levando em consideração as regras de cálculo previamente informadas para que a nota divulgada seja reavaliada.
O g1 também solicitou um posicionamento ao Centro Universitário de Santa Fé do Sul, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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