Justiça torna réu detento acusado de provocar incêndio que matou oito presos em penitenciária no interior de SP
05/01/2026
(Foto: Reprodução) Sobe para oito o número de mortos em incêndio na Penitenciária de Marília
A Justiça de Marília (SP) tornou réu o detento acusado de provocar o incêndio que matou oito presos na penitenciária de Marília (SP), em novembro do ano passado. A denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP) foi aceita nesta semana pelo juiz Arnaldo Luiz Zasso, da 3ª Vara Criminal da cidade.
Segundo o MP, o incêndio foi provocado de forma intencional pelo preso, que estava no setor de inclusão da unidade prisional. De acordo com a denúncia, Leandro Inácio da Silva teria ateado fogo em um pedaço de colchão no almoxarifado, o que gerou uma grande quantidade de fumaça tóxica.
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Ainda de acordo com a acusação, os detentos que estavam nas celas não conseguiram escapar e morreram por inalação da fumaça. Laudos periciais confirmaram a causa das mortes e a gravidade do incêndio.
Detento que iniciou incêndio em penitenciária de Marília (SP) estava em cela especial por indisciplina
TV TEM/Reprodução
Ao todo, oito pessoas morreram e outras 12 ficaram feridas. Entre os feridos, havia também cinco policiais penais. O réu vai responder por homicídio triplamente qualificado, por uso de fogo, por criar perigo comum e por dificultar a defesa das vítimas.
Na decisão, o juiz também determinou o arquivamento da investigação em relação a outros presos e a agentes penitenciários, por não haver indícios de envolvimento direto no crime.
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O detento segue internado e, assim que receber alta médica, será transferido para o sistema prisional, onde responderá à ação penal.
O incêndio
O incêndio na penitenciária de Marília começou no fim da tarde do dia 25 de novembro, por volta das 17h, após um dos detentos atear fogo aos próprios pertences no setor de inclusão.
Incêndio em penitenciária de Marília deixou mortos e feridos
Secretaria de Administração Penitenciária (SAP)/Divulgação
No registro policial, consta que o detento que causou o incêndio estava no setor da inclusão, onde o fogo começou, por "motivos de indisciplina". No local, o preso permanece na cela e só pode sair para "atendimentos, banho de sol ou situações específicas".
Ainda segundo o boletim de ocorrência, o detento colocou fogo nos próprios pertences pessoais que estavam na cela, dando início ao incêndio. Ainda não há informações sobre o objeto usado para iniciar as chamas.
Agentes penitenciários iniciaram o combate às chamas até a chegada do Corpo de Bombeiros e do Samu. Equipes do Baep e da Força Tática apoiaram o resgate e a evacuação da área.
A fumaça tóxica se espalhou rapidamente, provocando a morte de sete presos no dia do incidente e deixando outras 12 pessoas feridas, dentre elas cinco policiais penais.
A oitava vítima do incêndio morreu quatro dias depois, após permanecer internada. Abaixo, os nomes e idades dos sete detentos mortos durante o incêndio:
Doildo Diego Pires - 35 anos
Wallace Ferreira Dos Reis - 22 anos
Charles Andrey Souto Silva - 44 anos
Wender Felipe Maciel - 25 anos
Matheus Gregorio Da Silva - 22 anos
Caio Vinicius Oliveira - 25 anos
Thiago Nascimento De Oliveira - 25 anos
A identidade do oitavo detento que morreu no dia 29 de novembro, não foi confirmada pela SAP. Os corpos de três detentos foram sepultados em cidades do interior de SP e em Diadema, na grande SP.
Detentos mortos em incêndio na penitenciária de Marília foram sepultados
Arquivo Pessoal
Segundo a Prefeitura de Marília, as vítimas foram encaminhadas ao Hospital das Clínicas, à Santa Casa de Marília e às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul.
O detento que provocou o incêndio foi socorrido e levado ao Hospital das Clínicas de Marília, onde permanece internado e sob escolta da Polícia Penal. O caso foi registrado como homicídio e lesão corporal. Todos os servidores intoxicados já tiveram alta.
O que disseram as autoridades?
Em nota, a SAP informou que instaurou procedimento interno para apurar o caso e que está prestando apoio às famílias dos detentos mortos. A prefeitura destacou que reforçou as equipes de emergência e distribuiu os feridos entre diferentes unidades para agilizar o atendimento.
Ao g1, Luciano Carneiro, diretor regional do Sindicato dos Policiais Penais de São Paulo, afirmou que a unidade opera acima da lotação prevista e destacou os riscos estruturais do prédio.
Além disso, relatou que a diretoria e os servidores fizeram de tudo para socorrer os internos, o que ocasionou os seis agentes penitenciários feridos.
"Nossa primeira função como policial penal, atualmente, é a ressocialização, é manter a ordem pública. Foi um fato muito triste, muito lamentável", conta em entrevista ao g1.
A perícia foi acionada e a equipe esteve na penitenciária no dia 26 de novembro, mas ainda não há informações confirmadas sobre a motivação do detento que iniciou o fogo, nem sobre possíveis falhas estruturais e operacionais que facilitaram a propagação da fumaça.
Os funcionários da unidade começaram a ser ouvidos no dia 27 de novembro no inquérito aberto pela Polícia Civil para apurar o caso.
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