Laudo indica que idosa ainda tinha sinais vitais ao ser jogada em poço em Bauru após golpe na cabeça
27/10/2026
(Foto: Reprodução) Caso Dagmar: Caseiro é condenado a 26 anos de prisão por morte de idosa em Bauru
Um laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML), ao qual a TV TEM teve acesso, apontou que Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, ainda apresentava sinais vitais quando foi jogada no poço desativado onde seu corpo foi encontrado, em Bauru (SP).
A vítima foi morta em uma propriedade rural na região do Rio Verde em janeiro de 2026.
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Corpo de Dagmar Grimm Streger foi encontrado com um ferimento na cabeça
TV TEM/Reprodução
Segundo a perícia, a causa direta da morte foi um traumatismo cranioencefálico provocado por ação contundente, ou seja, pela agressão sofrida na cabeça.
Essa conclusão foi um dos principais indícios que embasaram a condenação do caseiro Paulo Henrique Vieira, de 55 anos, por latrocínio - roubo seguido de morte - e ocultação de cadáver.
O perito médico-legista identificou fraturas nas costelas com a presença de infiltrado hemorrágico. Na medicina legal, esse sinal indica que o corpo sofreu as lesões enquanto o coração ainda batia e a circulação sanguínea permanecia ativa.
Laudo do IML mostra lesões no corpo de Dagmar Grinn Streger em Bauru (SP)
Reprodução
Inicialmente, a Polícia Civil havia informado que a ausência de vestígios de terra ou detritos nas vias respiratórias indicava que a idosa já estaria morta ao ser jogada no poço. No entanto, com a conclusão detalhada dos laudos do IML, essa interpretação foi revista.
Paulo Henrique Vieira foi condenado a 26 anos de prisão. Durante o julgamento, realizado em 21 de setembro, o caseiro assumiu toda a responsabilidade pelo crime e pela ocultação do corpo, alegando que a esposa dele, Daniela dos Santos Vieira, de 40 anos, estava dormindo no momento da ação.
Daniela, que cumpria prisão preventiva, foi considerada inocente pela Justiça quanto à participação no crime e acabou solta no dia 23 de outubro.
Em fevereiro, a Polícia Civil havia concluído o inquérito e indiciado o casal por latrocínio e ocultação de cadáver, ocasião em que as prisões do homem e da mulher foram convertidas em preventivas.
Polícia concluí inquérito do caso de idosa morta e jogada em poço em Bauru
O caso começou a ser investigado após o desaparecimento da idosa, vista pela última vez no dia 19 de dezembro de 2025. O sumiço passou a ser apurado oficialmente no dia 22, quando familiares registraram boletim de ocorrência.
Em 24 de dezembro do ano passado, o casal que trabalhava e morava no sítio foi preso. Segundo a Polícia, eles confessaram informalmente envolvimento no crime e indicaram que o corpo teria sido jogado em um poço desativado na propriedade.
Casal é preso suspeito de envolvimento no desaparecimento de idosa em área rural de Bauru
Facebook/reprodução
Mais de 30 metros de escavações
As buscas começaram em 30 de dezembro e se estenderam por 23 dias. A operação mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil e da prefeitura.
Foi necessário o uso de maquinário pesado e a demolição da casa da vítima para ampliar o acesso ao poço e garantir a segurança dos trabalhos.
Dagmar Grimm Streger, de 76 anos, foi encontrada morta em um poço desativado no sítio onde morava, em Bauru (SP)
Andressa Lara/TV TEM
Cerca de 30 metros de profundidade foram escavados até que o corpo fosse encontrado, em 22 de janeiro deste ano, dentro de um poço desativado — conhecido como poço caipira, usado para captação de água — localizado no sítio onde Dagmar morava.
De acordo com a perícia do Instituto Médico Legal (IML) feita na época, o corpo apresentava lesão no crânio compatível com agressão.
Caso Dagmar: vídeo registra momento em que corpo de idosa é retirado de poço de 27 metros
Não foram encontrados vestígios de terra ou detritos nas vias respiratórias, o que indica que Dagmar foi morta antes de ser jogada no poço. Sacos de adubo teriam sido colocados sobre o corpo na tentativa de mascarar o odor da decomposição.
Corpo de Dagmar Grimm Streger foi encontrado com um ferimento na cabeça, confirmando a versão de caseiros sobre crime
TV TEM/Reprodução
A investigação também identificou transações bancárias entre as contas dos envolvidos. Em poucas semanas, foram realizadas mais de 100 transferências via Pix da conta de Dagmar para a conta de Daniela, somando mais de R$ 22 mil. Daniela afirma que não realizou as operações e sustenta que os valores foram enviados pela própria vítima.
Nos depoimentos durante as investigações, Paulo Henrique chegou a tentar atribuir a responsabilidade pelo assassinato ao filho do casal, um adolescente que tinha 14 anos na época do crime. Daniela contestou a versão e afirmou que o marido foi o autor do crime.
Até a última atualização do caso, o jovem estava em acompanhamento em um abrigo em Avaré, junto com os irmãos.
Cerca de 30 metros foram escavados em sítio para encontrar corpo de idosa
Andressa Lara/TV TEM
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