Megaesôfago: a doença que faz cães se alimentarem em pé e exige cuidados por toda a vida

  • 08/01/2026
(Foto: Reprodução)
Com megaesôfago, cão precisava se alimentar em pé para evitar risco de engasgos O esôfago é um órgão que funciona como um tubo que liga a boca ao estômago, realizando movimentos automáticos que empurram o alimento em direção à parte inferior do corpo. Quando funciona corretamente, o alimento ingerido chega normalmente ao estômago. Porém, quando há falhas nesse processo, o tubo não consegue conduzir a comida, que acaba ficando “parada” ou sendo regurgitada. A explicação é da médica-veterinária Ana Benevides, especialista em nutrição de cães e gatos. Nos animais, a condição em que o órgão não cumpre sua função é chamada de megaesôfago. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp “Esse tubo perde a força, fica mais largo, dilatado, e não consegue empurrar o alimento”, explica a veterinária. Esse foi o diagnóstico recebido pelo cãozinho Fantasma, da tutora Raphaela Araújo Gutierres, logo após ser adotado. Doença que dilata o esôfago faz com que animais precisem ser alimentados em pé Arquivo Pessoal "A gente pegou o Fantasma quando ele tinha 45 dias. Ele ficou dois dias com a gente e nesse tempinho notamos que sempre que ele comia, passava bem mal, vomitava ou ele ficava com bastante gases. Conforme os dias foram passando, ele foi piorando", relata. Na época, Raphaela levou o cão a uma clínica veterinária de Sorocaba (SP), onde Fantasma permaneceu internado por quase duas semanas até que o diagnóstico de megaesôfago fosse confirmado. "No caso dele, a doença é congênita. Então ele já nasceu com com essa questão. Foi difícil descobrirem o diagnóstico, fizeram vários exames. E como ele era muito pequenininho, não tinha muito nutriente, estava bem magrinho e muito debilitado. Na época, deram estimativa de vida de seis meses e um ano para ele." Apesar do prognóstico, Raphaela decidiu fazer o possível para garantir qualidade de vida ao animal e tentar prolongar o tempo ao lado dele. Foi então que levou Fantasma para ser atendido pela veterinária Ana Benevides. "E aí a gente começou a estudar as melhores medicações, como que a gente podia fazer para conseguir reverter ao máximo possível o quadro dele, porque apesar de não ter cura, algumas adaptações podem ser feitas para diminuir os sintomas", aponta a tutora. A veterinária explica que, na radiografia de Fantasma, é possível observar o esôfago significativamente dilatado, com dimensões muito maiores do que as de um órgão saudável. "Em um animal saudável, o esôfago praticamente não aparece na radiografia, porque ele é fino e colabado. Na do Fantasma, ele aparece como um tubo largo ao longo do tórax, acompanhando a coluna, justamente porque está dilatado. Esse espaço aumentado acaba funcionando como um reservatório, onde o alimento fica acumulado, o que explica essa área mais branca que a gente vê na imagem. Então não é só o alimento isolado, é o esôfago dilatado e alimento retido dentro dele", aponta. Raio-x feita em Fantasma, na época em que cão recebeu o diagnóstico, mostra o esofâgo dilatado Arquivo Pessoal Alimentação em pé A rotina de Fantasma passou por mudanças que impactaram desde a alimentação até as atividades do dia a dia. "Eu trabalhei muito tempo em casa para conseguir acompanhar ele mais de perto. Ele tem que comer em horários muito específicos e uma comida muito específica. Logo após o diagnóstico, ele comia uma comida pastosa. Depois, passou para ração batida, então, toda vez que ele ia comer, eu tinha que bater a ração, deixar ela numa consistência mais molinha, como se fosse uma sopa, e era isso que ele comia a cada 3 horas durante o dia. E ele precisa comer sempre em pé", explica. Para manter o pet na posição correta durante as refeições, Raphaela utilizava uma cadeirinha. Mas com o crescimento de Fantasma, foi necessário adaptar o método, substituindo a cadeirinha por um balde, onde o animal é colocado para permanecer ereto. Com medicação, alimentação adequada, cuidados constantes e muito carinho, Fantasma superou a expectativa de vida que recebeu ainda filhote e hoje tem 1 ano e cinco meses e, apesar dos cuidados contínuos, o pet leva uma vida saudável. "A gente conseguiu reverter muito o caso dele. Hoje ele não precisa mais comer a ração batida, ele consegue comer o grãozinho e também não precisa ficar totalmente em pé, mas ainda assim tem que ser mais alto que os cachorros normais pra não correr o risco de piorar o quadro dele novamente. É um cachorro que a gente tem que estar sempre monitorando, ele não pode vomitar, porque um dos maiores riscos dessa doença é a aspiração do vômito, da regurgitação. Mas hoje ele vive muito bem, graças a Deus", comemora a tutora. Fantasma superou a expectativa de vida e hoje vive uma vida tranquila, comenta a tutora Arquivo Pessoal A veterinária Ana Benevides explica mais sobre a condição clínica. Veja abaixo perguntas e respostas sobre a doença: 1. O animal nasce com a doença ou desenvolve? O animal pode nascer com essa condição ou desenvolver ao longo da vida, segundo a especialista. "Em alguns casos existe predisposição genética, mas nem sempre é hereditário. Quando surge depois, geralmente está ligado a outras doenças." 2. O que causa o megaesôfago? Segundo Ana, entre as causas adquiridas, é possível ter doenças neurológicas, musculares, alterações hormonais, inflamações ou até intoxicações. 3. Quais os sintomas? Benevides reforça que o principal sinal é a regurgitação, que consiste no refluxo de comida do esôfago ou do estômago, sem náuseas nem contrações violentas dos músculos do abdômen. "É importante explicar que regurgitação não é a mesma coisa que vômito. No vômito, o animal faz força, fica enjoado. Na regurgitação, o alimento simplesmente volta, geralmente logo após comer, e vem praticamente inteiro. Além disso, o animal pode emagrecer, engasgar, tossir e ter dificuldade para ganhar peso." 4. Como é feito o diagnóstico? O diagnóstico costuma ser feito com exames de imagem, como a radiografia, que mostra o esôfago dilatado. Em alguns casos, é preciso investigar a causa. 5. O que muda na vida do animal que tem a doença? A veterinária explica que, após o diagnóstico, a rotina do animal precisa ser adaptada, principalmente na alimentação. "A comida precisa ser pastosa e oferecida com o animal em posição elevada, quase sentado ou em pé, para usar a gravidade a favor. Depois da refeição, ele precisa ficar nessa posição por alguns minutos. O acompanhamento nutricional é muito importante, porque esses animais têm mais risco de emagrecer e precisam de uma dieta bem ajustada para manter a saúde." 6. Quais os tratamentos? O tratamento vai depender da causa. "Em alguns casos a gente trata a doença de base, em outros o foco é o manejo alimentar e o controle das complicações. Nos casos congênitos, geralmente não existe cura, mas é uma condição que pode ser controlada. Nos casos adquiridos, dependendo da causa, pode haver melhora." 7. Qual a expectativa de vida do animal diagnosticado? Não existe uma expectativa de vida fixa. Alguns animais têm quadros mais graves, mas muitos vivem por anos com boa qualidade de vida quando recebem os cuidados corretos. "Com diagnóstico precoce, alimentação adequada, acompanhamento nutricional e orientação ao tutor, esses animais podem ter uma vida confortável e ativa. Com diagnóstico precoce, alimentação adequada, acompanhamento nutricional e orientação ao tutor, esses animais podem ter uma vida confortável e ativa." A médica explica também que a doença acomete majoritamente os cães, mas também pode acontecer em gatos. No caso dos animais silvestres, o megaesôfago é mais raro. Ana Benevides, médica veterinária e especialista em nutrição em cães e gatos, tira dúvidas sobre o megaesôfago, doença sem cura que afeta alimentação dos animais Arquivo Pessoal Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/tem-mais-pet/noticia/2026/01/08/megaesofago-a-doenca-que-faz-caes-se-alimentarem-em-pe-e-exige-cuidados-por-toda-a-vida.ghtml


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