‘Pets universitários’: conheça histórias de cães que são símbolos de repúblicas e recebem cuidados de dezenas de tutores
17/09/2026
(Foto: Reprodução) Pets viram parte da rotina em repúblicas universitárias de Bauru
Em Bauru, os pets também fazem parte da vida universitária. Em muitas das repúblicas onde moram os estudantes, cães e gatos dividem o espaço com os universitários e acabam ganhando uma enorme família e dezenas de tutores ao longo dos anos.
A cidade é conhecida como uma das principais cidades universitárias do interior de São Paulo e atrai milhares de estudantes que buscam uma formação no ensino superior. Além da USP e da Unesp, Bauru conta com outras 11 instituições privadas.
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Só na Unesp, por exemplo, são mais de 6 mil estudantes. Muitos deles decidem se juntar e morar em repúblicas, onde os pets passam a fazer parte da rotina e da história da casa.
Rotina e organização
Danada é "moradora" de república de estudantes em Bauru
TV TEM/ Reprodução
Em uma das mais de 30 repúblicas de Bauru, a Danada é a mascote da casa onde 14 estudantes moram e dividem as responsabilidades, as despesas e o carinho pela cadela. Para auxiliar nas tarefas com o pet, os moradores usam uma lousa em que controlam se a ração já foi dada no dia e se ela passeou.
“Todo dia da semana é o dia de mais de uma pessoa lavar roupa. Esse também vai ser o seu dia de dar ração para ela. A gente tem um quadro em cima da ração dela. A ideia é que você vá lavar roupa, dê ração para ela e já marque no quadro. Sua semana de tirar o lixo também é sua semana de passear com ela”, conta Arthur Oliveira dos Santos em entrevista à TV TEM.
Essa capacidade de organização, que para muitas pessoas pode se tornar desafiadora, é essencial para manter o bem-estar do animal, conforme explica a médica veterinária comportamental Ana Paula Guerra.
“Tem que ter uma rotina minimamente previsível. Esse animal precisa ter horários de alimentação. Não precisa ser exatamente a mesma hora, mas os períodos certinhos de alimentação, de passeios e de brincadeiras.”
Quadro ajuda os estudantes nos cuidados com a cadela em Bauru
TV TEM/ Reprodução
Alta quantidade e rotação de tutores
A Danada chegou à república em 2018, quando ainda era filhote e cresceu cercada por muita gente. Hoje, a cadela é a moradora mais antiga da casa. Daquele grupo original que a adotou, todos já se formaram e foram embora da república.
“Entram pessoas novas - os calouros - e a gente ensina como cuidar do cachorro, ensina quais são as demandas dela, como a gente faz os passeios, como a gente alimenta”, conta outro morador da casa, Tobias Pinheiro Machado.
Em outra república de Bauru, o número de pets cresce junto com o número de moradores. Bruce, Juninho e Pingo são três cachorros vira-latas que são cuidados por 20 estudantes universitários.
O estudante Marco Aurélio Vieira Filho é morador da república e conta que um dos requisitos para morar na casa é gostar dos animais
“É a parte essencial. Porque os cachorros não são nem um pouco introvertidos. São cachorros que vão para cima de você, vão querer a sua atenção e estar contigo o tempo todo. Então, se a pessoa não tiver esse gosto pelo animal, ela nem vai querer ficar aqui.”
O número ainda maior de moradores aumenta os desafios organizacionais com os pets. A médica veterinária ressalta que os estudantes precisam estar conectados para seguirem as mesmas regras e não deixarem os cachorros confusos.
“Todos têm que falar a mesma linguagem. Se um deixa fazer uma coisa e outro não deixa, esse animal começa a ficar confuso. As regras sempre têm que ser claras. O que pode, pode sempre e com todo mundo. E o que não pode, não pode nunca e com ninguém da casa”, diz a especialista.
Pets como parte da república
Na república de estudantes em Bauru, 20 moradores se dividem nos cuidados com três cães
TV TEM/ Reprodução
Crescer em uma casa com tantos moradores faz com que os pets recebam mais carinho, atenção, brinquem mais e não fiquem entediados, já que há sempre alguém por perto.
A relação entre os pets e os estudantes fica muito próxima, com os animais se tornando os símbolos das repúblicas. Nas duas casas, os moradores usam camisetas e penduram faixas, quadros e fotos com a imagem dos pets
“Ela se tornou o símbolo da república, além da nossa mascote. Ela representa a república em si”, comenta o morador Antônio Marcos Martins, sobre a Danada.
Bruce, Juninho e Pingo também são considerados uma parte muito importante da república, como conta o estudante Gabriel. Mesmo em 20 moradores, ainda há espaço na casa para mais relações de amor e carinho com os pets.
“É muito importante, porque a maioria de nós está vindo de outras cidades. Tem gente que passa o dia todo na faculdade, tem gente que faz dois turnos e estuda e trabalha. Eu acho que os cachorros são uma parte muito importante da república nesse sentido. No sentido de trazer alegria, de ser quem vai receber a gente lá no portão quando a gente chega cansado da faculdade ou do trabalho. Isso é muito especial”, finaliza o estudante Gabriel Quezada.
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*Colaborou sob a supervisão de Mariana Bonora
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